Espelhos
Esse espelho me provoca diariamente.
Me mostra um ser fútil, irracional e mal acabado.
Espelhos mostram as verdades
Verdades me irritam, me destroem.
Prefiro o mundo dos sonhos
Do que me ver brutal
Em carne, ossos e desejos
Em instintos carregados de ira.
Espelhos devem ser quebrados
Para podermos ser animais insanos
Desconhecermos nossa realidade.
É sempre mais fácil esconder problemas
a tentar resolve-los.
Quem sou eu?
Bicho nojento! Pensamentos vagos...
Saio pelas ruas desertas na madrugada
Para me confortar nos braços do abandono
A solidão e a sensação de ser único no mundo me confortam
Não existem mais bixos a minah volta,
Não tem ninguém se procriando,
Não existem ensinamentos (des)humanos.
Sou animal único, ao me matar acaba-se essa especie
Me extermino com os restos do espelho que quebrei pela manhã
É o fim da humanidade cruel
E dos espelhos da veracidade.
Lucas Borges
16/09/05
